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quinta-feira, 1 de julho de 2010

Cumprindo o papel

Olá meus queridos =)
Depois de um bom tempo, estou de volta aqui \o

E creio que este post, melhor dizendo, um post como esse se tornou uma espécie de obrigação pra mim, depois de ter feito um post falando mal de tudo, metido a revoltadinho e falando de músicas que eu não gosto ou por algum motivo acho ruins, uma pergunta se torna muito comum: "Certo Gabriel, você falou mal de tudo aí, disse um monte de coisa que não presta, reclamou de praticamente tudo. Ótimo, mas e aí? Já que você falou de tanta coisa ruim, o que você acha que é bom? Falar mal das coisas é fácil, agora quero ver é você falar de algo que seja realmente bom".




E eu respondo: CLARO QUE SIM. A minha proposta no blog nunca foi criticar ou sair sentando a madeira em nada. Desde o início a minha proposta sempre foi falar de músicas que eu gosto, por que eu gosto e indica-las pra vocês. Aquele último post foi algo atípico e apenas um desabafo, mas com este aqui já estou de volta ao normal.



E desta vez eu vou falar de um artista um pouco mais conhecido do que os outros que postei aqui. Escolhi Bob Mcferrin pra falar sobre hoje. De nome muita gente pode não conhece-lo, mas eu tenho certeza que todos já ouviram a música "Dont Worry Be Happy". Só que o que nem todo mundo sabe, é que esta música foi inteiramente gravada por ele. Todos os sons presentes na música são feitos por ele, somente com a voz. Ele possui além de uma extensão vocal incrível sendo capaz de cantar em quatro oitavas, consegue produzir muitos efeitos utilizando a voz.



McFerrin nasceu em 11 de março de 1950 no Reino Unido, mas radicado em Nova Iorque. Ao longo de sua carreira, já fez parcerias com CHick Corea, Herbie Hancock, Joe Zawinul, Richard Bona, Yo-Yo Ma entre vários outros artistas renomados. Seu estilo mais característico é o Jazz, mas ele passeia com muita tranquilidade entre o pop e o pop rock. Em estúdio, Bobby já criou álbuns em que é o único músico, cantando e simulando instrumentos. Uma das suas técnicas mais notáveis é o chamado "Canto Diofônico", em que o cantor produz vários intervalos com uma só voz (é como se cantasse duas notas ao mesmo tempo). Pra vocês perceberem o quão incrível é esta técnica, tente falar duas palavras ao mesmo tempo. Pronto, é como se ele fizesse isso.



Porém o que mais me impressiona no trabalho deste verdadeiro gênio da voz, não são os trabalhos feitos em estúdio, e sim as performances ao vivo. Ele tem uma forma única de interagir com a platéia. Ele costuma dividir a platéia em grupos, deixando cada grupo responsável por uma nota, e então ele começa a criar melodias em cima das notas cantadas pelo público. Ou ainda determina que alguns lugares do palco, sejam notas musicais que deverão ser cantadas pela platéia, de acordo com o local em que ele pise. Enquanto isso ele improvisa melodias com a voz utilizando escalas tão lindas quanto as utilizadas por qualquer outro instrumentista. Creio que uma comparação muito válida, é que McFerrin consegue fazer com a voz, o que Herbie Hancock ou John Coltrane fazem com o piano e o sax, respectivamente.




Filho de cantores de ópera, foi treinado para ser pianista, mas ainda jovem se decidiu pelo canto. Logo em seguida ele começou a fazer apresentações como solista desacompanhado, e em 1984 gravou o álbum "The Voice" que até hoje é considerado o melhor. Mesmo sendo considerado um grande nome do jazz vocal, McFerrin ainda não é considerado uma influência a altura do seu enorme talento. Venceu vários prêmios "Grammy" nas categorias de melhor performance vocal masculina de jazz, melhor arranjo vocal para duas ou mais vozes, melhor gravação para as crianças, melhor performance vocal pop masculino, e melhor performance de Jazz vocal.




Sem mais delongas, vou disponibilizar links pra vocês conhecerem o trabalho dele.

Primeiro, alguns vídeos com apresentações bastante performáticas:


Chick Corea and Bob McFerrin - Spain

Bob McFerrin demonstrate the power of the pentatonic scale

Spontanious Inventions - Bobby McFerrin


E alguns álbuns para download:

The Voice

Vocabularies - 2010

The Note Blues Years

Simple Pleasures




Post curto, porém bastante objetivo. Espero que tenham curtido e espero também não demorar muito a postar algo aqui pra vocês.

Fiquem com Deus e muito obrigado.

Beijos =*

sábado, 8 de maio de 2010

Voltando a falar de música





E voltando a postar no blog. Não meus queridos, eu não vou deixar o blog parar, ainda que passe um bom tempo sem postar, neste caso duas semanas, o blog está sim na ativa. Pra contemplar vocês com mais um músico espetacular, e dando segmento as apresentações de grandes nomes do Jazz. Eu sinceramente espero que ao acompanhar o blog, de pra todos terem um bom conhecimento sobre jazz e enriquecer os conhecimentos musicais, inclusive espero ir sempre aumentando os meus conhecimentos e ampliando meus horizontes aqui no blog também, portanto vamos crescer juntos.

Desta vez escolhi falar sobre Pat Metheny, primeiro guitarrista a ser tratado aqui no blog. E com certeza será tratado de forma muito especial. O que mais me chama atenção no Pat, é a forma como ele toca a Bossa Nova. Não parece um americano tocando, mas um brasileiro cheio de swing e samba na veia. Além de, claro, uma técnica apuradíssima aliada a toda sua genialidade, somada ao seu sotaque genuinamente americano, puramente jazzístico.

Nasceu em 1954 no Kansas e desde muito novo já se mostrava um gênio. Com 15 anos já tocava com grandes nomes do jazz no Kansas, adquirindo experiência de banda muito jovem. Logo em seu primeiro álbum, o Bright Size Life (1976), Metheny recebeu muitos elogios da crítica. Ele que, já em seu primeiro álbum, "reinventara o som tradicional da guitarra de jazz" (segundo os críticos) continuou a redefinir o gênero utilizando novas tecnologias e refinando sempre a sua capacidade de improvisação no instrumento.

Durante a sua carreira, atuou com grandes nomes da música internacional como Steve Reich, Ornette Coleman, Herbie Hancock, Jim Hall, David Bowie, Chick Corea, Gary Burton, Milton Nascimento, Tom Jobim e muitos outros. Atuou também na área acadêmica como professor de música. Aos 18, foi o professor mais novo da história da universidade de Miami, e aos 19, tornou-se o mais jovem professor da história da universidade de Berkeley, recebendo o título de doutor honorário vinte anos mais tarde (1996).

Metheny foi um dos primeiros músicos a tratar o uso de sintetizadores com seriedade. Muito antes da tecnologia MIDI ( tecnologia de efeitos que é utilizada hoje em dia), Metheny usava um Synclavier como ferramenta de composição. Também teve participação na criação de vários tipos de guitarras diferentes como a acústica soprano, a guitarra de 42 cordas Pikasso, e uma variedade de instrumentos feitos sob sua encomenda.

Durante anos, Matheny ganhou uma infinidade de prêmios como "melhor guitarrista de jazz" e disco de ouro para os álbuns Still Life (Talking), Letter from Home e Secret Story. Ganhou também quinze prêmios Grammy Awards em várias categorias diferentes incluindo "Best Rock Instrumental", "Best Contemporary Jazz Recording", "Best Jazz Instrumental Solo", "Best Instrumental Composition". O Pat Metheny Group ganhou sete Grammies consecutivos em sete álbuns consecutivos. Metheny continua compondo e tocando muito com uma agenda de mais de duzentas viagens por ano desde 1974. Dedica seu tempo aos seus próprios projetos, a novos músicos e aos veteranos, acrescentando muita beleza e sofisticação em qualquer trabalho que participe.

Downloads:

Pat Metheny Group - Still Life (1987)
Pat Metheny Group - Imaginary Day (1997)
Pat Metheny - Bright Size Life (1976)
Pat Metheny, Gary Burton, Chick Corea, Roy Haynes e Dave Holland - Like Minds (1998)

PS: Todos os álbuns indicados são excelentes, mas o Like Minds é um dos meus álbuns de jazz favoritos, espero que gostem. Até a próxima e beijos a todos ;*

sábado, 3 de outubro de 2009

Breath


Pra quem pensava que eu ia escrever somente sobre pianistas, venho agora apresentar a vocês um saxofonista que é considerado como um dos maiores compositores do gênero de todos os tempos, além de ser considerado também o melhor sax tenor do Jazz, John Coltrane. Nasceu na cidade de Hamlet na Carolina do Norte no dia 23 de Setembro de 1923 e faleceu no dia 17 de Julho de 1967.
Coltrane influenciou toda uma geração de música, e ultrapassa os limites do jazz, tendo forte influência no Rock e até na música erudita.
Coltrane começou a sua carreira musical em 1945 quando entrou para a marinha dos Estados Unidos, e tocava clarinete. Sua primeira gravação foi com um quarteto de marinheiros, em 1946, onde gravou a música "Hot House" do compositor Tadd Dameron. Para a sorte de todos, Coltrane não chegou a entrar em combate, e quando voltou da marinha começou a tocar em alguns bares e clubes ao redor da Filadélfia. Talvez o momento mais importante para a sua carreira, foi quando entrou para a "King Kolax Band" com o saxofonista Charlie Parker, que em breve terá destaque aqui no blog. Foi nesta banda que Coltrane resolveu trocar o sax alto pelo sax tenor, visto que Parker já tocava sax alto e havia "esgotado" as possibilidades do instrumento. O sax alto é um instrumento que emite notas mais agudas, enquanto o tenor trabalha na região média, e foi neste tipo de sax que Coltrane ganhou destaque.
Em 1957 fez a sua primeira gravação como líder, e a partir daí passou a se consolidar como um dos maiores nomes do jazz da história.
Entre os seus discos lançados, "A love supreme" é considerado sua obra prima, e é uma ode à sua fé no amor e em Deus. Este interesse espiritual iria caracterizar bastante a obra de Coltrane a partir de então, como pode ser visto em seus álbuns posteriores. Uma curiosidade sobre este disco, é que o quarto movimento "Psalm" é um arranjo feito para um poema escrito por ele para Deus que foi impresso no álbum. Coltrane toca quase exatamente cada nota para cada sílaba do poema, baseando suas frases nas palavras. O curioso é que "A love Supreme" foi tocado uma única vez ao vivo em 1965 em um show na França. Sua música já havia evoluído bastante e houve um contraste interessante entre a performance no show e o original.
Coltrane foi sem dúvida um dos maiores jazzistas de todos os tempos, e sua influencia começou durante a sua vida, e se estendeu ainda mais após a sua morte (faleceu de câncer no fígado). Em 1965, ele entrou para o Down Beat Jazz Hall of Fame, e foi postumamente premiado com o Grammy Lifetime Achievement Award em 1992. Coltrane foi até considerado santo pela Igreja Ortodoxa Africana Saint John Coltrane, uma igreja ortodoxa africana em São Francisco, nos EUA.
Agora para que vocês conheçam a obra do artista, vocês podem ver vídeos dele aqui e aqui, e baixar discos aqui, aqui e aqui.

Espero que gostem do Coltrane, eu particulamente acho sensacional tudo relacionado a ele. O post acabou saindo pequeno, estou com sono e viajo de manhã cedo. Boa noite a todos, e muito jazz.

Beijos ;*

domingo, 27 de setembro de 2009

O que fazer no domingo?


Ah, o domingo... Dia normalmente chato em que ao invés de pensarmos em aproveitar bem os últimos momentos que restam de descanso, ficamos é preocupado com a segunda feira e com a semana cheia de correria que está por vir. Portanto pra tentar fazer o Domingo de todos um pouco mais agradável e prazeroso, trago aqui material sobre outro jazzista fora de série: Art Tatum. Por favor, não pensem que o blog tratará apenas de pianistas de Jazz, muito pelo contrário. Uma equipe está sendo formada para que os mais variados assuntos sejam tratados aqui, mas por enquanto quero apresentar alguns dos ícones do Jazz que não são muito conhecidos, e que por alguma coincidência são... Pianistas. Em breve trarei aqui saxofonistas como John Coltrane, Charlie Parker, baixistas como Ron Carter, e outros músicos que também tiveram muita importância e entraram para a história do Jazz e da música de forma geral. Mas hoje, vamos conhecer o Art.
Tatum nasceu na cidade de Toledo no Ohio em 13 de outubro de 1910, e faleceu em Los Angeles, na Califórnia, em 5 de novembro de 1956. Tatum, como quase todos os gênios, viveu muito pouco. Porém nos deixou um legado muito valioso, e influenciou toda uma geração de jazzistas como Herbie Hancock, John Coltrane, Oscar Peterson e muitos outros.
Tatum tinha um estilo muito próprio de tocar piano, onde esbanjava virtuosismo em alguns momentos, e sentimentos em outros. Tudo acompanhado de uma técnica exuberante em composições extremamente complexas. Tatum junto com outros pianistas como Fats Waller e Earl Hines, buscaram afastar o piano jazzístico do stride e do ragtime.
Agora alguns materiais para que vocês possam curtir jazz da mais alta qualidade:

Os vídeos podem ser vistos aqui e aqui
E os cds baixados aqui e aqui.

Espero que gostem
Bom domingo a todos
beijos ;*

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Pra começo de conversa...


Após o meu post furioso e desagradável de ontem, após a decepção que tive com meu time, vamos falar do que interessa aqui nesse blog. MÚSICA. Então vou apresentar a vocês o grande pianista Thelonious Monk. Monk nasceu no dia 10 de outubro de 1917 na cidade de Ricky Mount, na Carolina do Norte, e faleceu no dia 17 de fevereiro de 1982. Enquanto vivo, Monk era com certeza um pianista a frente do seu tempo. Foi um dos criadores do beebop e seu estilo lembrava muito o de Art Tatum, era descrito como "Hard- Swing", que no caso era um estilo "viciado" em frases rápidas. Os trabalhos dele eram sem dúvidas de uma complexidade enorme, tanto que no primeiro album em que foi autorizado a fazer sua música, a música "Sonny Rollins" que era o título do album, em homenagem ao grande saxofonista, ficou tão complicada que teve que ser gravada em três takes diferentes, e é considerada até hoje como a obra prima de Monk. A sua carreira de modo geral, ficou marcada pela sua excentricidade. Era conhecido pelo seu estilo ripster, e pelo seu estilo único de improvisar no piano, muito sincopado e percussivo. Várias lendas do jazz foram influenciadas por Thelonios, como John Coltrane, Ornette Colema, e vários outros pois as suas músicas, devido a sua brilhante, excentrica e até bizarra forma de linguagem em relação ao Jazz clássico, foram a grande referencia do Jazz na segunda metade do século XX.

É um compositor que eu adoro justamente por ser excentrico, já que esta é uma das qualidades que eu mais admiro nas pessoas. Seu estilo percussivo de improvisar me encanta, e encanta milhões de amantes de um bom jazz. É uma pena não ter sido tão reconhecido enquanto vivo, e muitas vezes tachado de louco. Mas o seu legado está ai, e deixo pra vocês algum material sobre ele.

Vídeos podem ser vistos aqui, e aqui.

E os discos podem ser baixados aqui, e aqui.

Espero que todos gostem.
Beijos a todos ;**